quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Governo estuda soluções para reduzir uso de sacos de plástico

O Governo decidiu deixar cair a cobrança de uma taxa pela utilização dos sacos de plástico, mas pretende encontrar uma solução que diminua o consumo exagerado destas embalagens. A distribuição de sacos reutilizáveis ou biodegradáveis (como os de pano ou de papel) ou a adopção generalizada pela distribuição de um preço mínimo, são algumas das alternativas que estão a ser em cima da mesa.
O abandono da cobrança da taxa - que consta do anteprojecto lei, tal como outras soluções - surge "há um par de semanas", esclareceu, ontem, o secretário de Estado do Ambiente, acrescentando que esta decisão foi tomada por já haver uma taxa sobre sacos de plástico e outras embalagens, que é a taxa da Sociedade Ponto Verde.
Em declarações ao JN, Rui Berkhemeier, da Quercus, considerou aquela justificação incompreensível. "São duas coisas completamente distintas. Uma coisa é pagar a taxa para a Sociedade Ponto Verde, que existe por imposição comunitária, e que serve para reciclar, outra coisa é aplicar uma taxa a um produto para evitar a sua utilização em excesso", sublinhou. Para este responsável da Quercus, a criação de uma taxa sobre os sacos ou a cobrança de um preço mínimo por toda a distribuição - à semelhança do que já fazem actualmente as cadeias Dia, Lidl ou Pingo Doce - seria uma forma eficaz de travar o consumo e de tornar os preços mais transparentes, uma vez que o seu custo acaba por ser incorporado noutro sítio e suportado na mesma pelo consumidor.
Do lado do Governo, Humberto Rosa fez questão de sublinhar que terá de ser encontrada uma solução que trave a utilização massiva dos sacos e que promova a sua reutilização, pelos problemas ambientais que estas embalagens estão a causar. Para ilustrar a dimensão do problema referiu que em todo o mundo se produzem anualmente 500 biliões de sacos (não biodegradáveis) e que em 500 metros da Costa da Caparica foram encontrados mais de uma centena de sacos de plástico abandonados.
A utilização de sacos de pano ou de papel ou a cobrança de um preço mínimo são alternativas possíveis, precisando Humberto Rosa que não se traduzem num custo acrescido imediato para o consumidor. Até porque, para não pagar os clientes podem sempre carregar as compras em sacos reutilizáveis.A experiência das cadeias de supermercados que já cobram entre dois a três cêntimos por saco mostra que houve realmente uma redução da procura. Mas o caso que melhor ilustra o efeito deste tipo de soluções é o da Irlanda, onde existe uma taxa, e onde o consumo de sacos de plástico per capita baixou de 354 unidades por ano, para duas dezenas por ano.
A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) alerta porém para a existência de outros resíduos problemáticos como são as fraldas ou as embalagens de cartão. O seu presidente, Luís Vieira e Silva diz que em breve a APED tomará uma posição mas afirma-se desde já contrário à existência de uma taxa.
Resíduos urbanos
Os plástico (não apenas os sacos) representam cerca de 10% dos resíduos urbanos, o que equivale a cerca de 450 mil toneladas.
Vários tipos
Dentro dos plásticos, os chamados plásticos de folha (onde se incluem os sacos e as películas aderentes) equivalem a 60% a 70%.
Reciclagem aumenta
A Sociedade Ponto Verde estima que até ao final do ano serão recicladas 31 650 toneladas de plástico, mais 21,5% do que em 2006.Obrigatório por lei Irlanda e Alemanha obrigam a pagar o saco de plástico, que demoram entre 200 a 400 anos a decompor-se.
Fonte: JN (06/12/07)

Iberomoldes alvo de buscas mas...

...administrador diz que suspeita de fraude fiscal recai sobre outras empresas.
O administrador da Iberomoldes, Henrique Neto, confirmou à Agência Lusa que o grupo foi alvo de buscas dos serviços de finanças mas alegou que essa investigação por fraude fiscal se dirigia a outras empresas.

"Na semana passada fomos visitados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e serviços das Finanças que nos comunicaram que a investigação não era sobre a nossa empresa mas sobre outras com quem tínhamos relações comerciais", explicou o empresário.

O caso é revelado hoje pelo “Jornal de Negócios” e “Diário de Notícias” que apontam a Ibermoldes como alvo de buscas no âmbito investigação fiscal denominada "Operação Furacão", bem como uma empresa de Tondela, a Rui Costa Sousa & Irmão, que comercializa a marca Sr. Bacalhau.

Durante "toda a manhã e parte da tarde", os inspectores "foram a vários computadores, fizeram busca e cópia das questões que entenderam", refere o empresário, que não se mostra preocupado com o caso.

"Não temos razões para suspeitar que estamos em falta", justificou Henrique Neto que, no entanto, admite que possam existir questões pontuais na relação fiscal do grupo com o Estado.
"São coisas complexas", disse Henrique Neto, recordando que está pendente um processo nos tribunais do grupo contra o Estado sobre uma interpretação diferente sobre os impostos a pagar, relativa a "uma visita semelhante a esta há cinco anos".


A "Operação Furacão" é uma ampla inspecção que decorre há dois anos e já constitui mais de 200 arguidos, em sectores como a banca, escritórios de advogados e editoras.

Fonte: Jornal de Notícias online (06/12/07)

quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Investimentos de 541 milhões na Auto Europa

A decisão da Volkswagen de investir 541 milhões de euros na AutoEuropa comprova o empenho da casa-mãe em continuar a apostar na fábrica, o que "é muito importante", disse ontem fonte da empresa citada pela Lusa, a empresa. A AutoEuropa garantiu que não há qualquer indicação, até agora, de qual será o novo modelo para a fábrica de Palmela, no entanto, o "Jornal de Negócios" referia, ontem, que o modelo a produzir a partir de 2009 será o novo Polo. A administração da Volkswagen anunciou, terça-feira, um investimento de 541 milhões de euros na AutoEuropa até 2010, "com particular foco em novos veículos". Anteriormente, estava previsto um investimento de 500 milhões de euros até 2012 na fábrica do grupo em Palmela. Em comunicado, a administração anuncia investimentos de 9,5 mil milhões de euros nos próximos três anos, dos quais 6,5 mil milhões serão investidos em novos produtos. O comunicado, que cita o administrador Jochem Heizmenn, diz que 1,7 mil milhões serão destinados a equipamentos de produção em novas fábricas na Rússia e Índia, a uma terceira linha de produção em Wolfsburg, Alemanha (479 milhões de euros), e na área de pintura da fábrica espanhola de Pamplona (284 milhões). Dia 16, o grupo Volkswagen, que inclui as marcas Audi, Seat, Skoda e algumas premium, anunciou investimentos de 28,9 mil milhões na divisão automóvel, destinado a terrenos, fábricas e equipamentos.


Fonte: JN (29/11/07)

domingo, 11 de Novembro de 2007

Pintura que muda de cor

Imagine que pode mudar a cor do seu automóvel com o simples toque num botão. Imagine que a tonalidade com que o veículo sai da linha de produção não é definitiva e pode alterá-la sempre que quiser.Esta é um projecto perto de se tornar realidade com a introdução de uma nova tecnologia de pintura «paramagnética». Trata-se de uma tecnologia que funciona através de um polímero especial o qual é aplicado no veículo antes da pintura, o qual contém partículas de óxido de ferro paramagnético. Com a aplicação de uma corrente eléctrica o espaço entre os cristais de óxido é ajustado, afectando o seu nível de reflexão de luz e logo de percepção de cor.No entanto, com o carro desligado e sem corrente, a pintura voltaria à sua cor de origem, pelo que a tecnologia precisa de ser desenvolvida. Em 2010 prevê-se que chegue ao mercado na sua versão definitiva, altura em que a Nissan já terá desenvolvido uma pintura regenerativa.



Fonte: Autohoje online

domingo, 4 de Novembro de 2007

Qualidade e inovação ao serviço dos clientes

Criada em 1949, a Silanto S.A. é uma empresa que desenvolve a sua actividade no sector da construção civil, através da distribuição de materiais de construção, processo que é complementado pela transformação e instalação de alguns dos materiais que representa. Em entrevista ao jornal “O Primeiro de Janeiro”, Luís Machado, director do serviço financeiro, falou-nos sobre o percurso da empresa, dos seus primórdios às perspectivas para o futuro.

A empresa iniciou a sua actividade em 1949 sob a forma de Sociedade por quotas, e estabeleceu a sua Sede em Lisboa. Foi inicialmente pertença de outros titulares, e o âmbito da actividade era mais restrito daquele que tem na actualidade. Em 1969 e após algum crescimento orgânico estabeleceu-se no Porto com uma Sucursal e foi no mesmo ano adquirida pela família e grupo Cunha Gomes, já então proprietários de um vasto leque de interesses ligados à Construção Civil e liderada pela empresa mãe - Materiais de Construção Cunha Gomes.
A Silanto S.A. tem a sede em Canelas, Vila Nova de Gaia. As suas duas filiais situam-se em Sintra e em Faro e detém uma implantação nacional, com maior preponderância na zona litoral, “onde a densidade em termos de construção é efectivamente superior”, explica Luís Machado.
A empresa desenvolve uma actividade eminentemente comercial e comercializa um vasto conjunto de materiais repartidos por quatro áreas de negócios distintas, a destacar:
- Tectos e Revestimentos – onde se inclui um alargado conjunto de materiais como revestimentos murais, revestimentos de pavimentos e tectos falsos.
- Isolamentos – que engloba duas sub-áreas, a térmica e a acústica direccionadas para segmentos de mercado distintos.
- Policarbonatos – na categoria dos polímeros onde se destacam as placas compactas, onduladas e alveolares.
- Compactos Fenólicos – onde se destacam os kits de divisórias de WC, portas, cacifos, bancos, entre outros, enumerou o director dos serviços financeiros. Assim, a abordagem ao mercado é feita através dessas diferentes áreas de negócios e, em função disso, as principais actividades da empresa passam pelos âmbitos comercial e de instalação.

Neste sentido, “temos um alvará de construção e, consequentemente, cerca de 27 por cento da nossa facturação é de prestação de serviços, ou seja, de serviços de instalação (nomeadamente instalação de tectos falsos, pavimentos, revestimentos, murais, interiores, exteriores, pavimentos em madeira, etc)”, clarificou Luís Machado. Para além disso, acrescenta que “muita da nossa actividade de instalação passa por uma área relativamente recente, que é a área dos compactos Fenólicos, que se concretiza através da elaboração de um conjunto de kits que são transformados numa empresa nossa associada, a Mecofenol, que procede à transformação do material. Os fenólicos são utilizados em aplicações que exijam resistência, durabilidade, entre outros”.
A actividade de instalação da Silanto S.A. tem maior preponderância na filial de Faro, pois em todo o Algarve é considerada como uma empresa de referência e com forte notoriedade. Por outro lado, regista-se menor preponderância de actividade de instalação no Norte, através da sede, e também em Lisboa, onde a empresa exerce funções essencialmente comerciais. Com efeito, a actividade da empresa está verticalizada, ou seja, não se trata de uma entidade meramente dedicada à importação, compra e distribuição de materiais. “Somos, para além disso, transformadores de alguns desses materiais e instaladores dos mesmos, quando a situação nos é solicitada, e para isso estamos devidamente habilitados por esse alvará de construção”, explica Luís Machado. Além disso, essa verticalização da actividade é “uma forma de conseguirmos incrementar factores críticos de competitividade nos negócios e de nos diferenciarmos também da concorrência”.

Estrura física e humana
As instalações da Silanto S.A. em Canelas têm 3900 metros, 2600 de área coberta, onde está centralizada toda a área administrativa e financeira, existindo ainda um balcão e um show-room para a apresentação de alguns dos produtos, e um armazém com algum potencial de armazenagem, com redistribuição, nalguns dos casos, para as nossas filiais. A filial de Sintra, (situada na zona de Albarraque), tem uma armazém com cerca de 600 metros quadrados, onde são desenvolvidas actividades de armazenagem e distribuição de materiais. Relativamente à filial de Faro, as instalações são arrendadas, isto porque, segundo diz Luís Machado, “nesse local temos uma estrutura humana que prevalece sobre a física, pois o negócio faz-se basicamente em obra, embora tenhamos o nosso espaço (cerca de 400 metros quadrados) para uma actividade de distribuição sustentável”.
No que respeita ao número de colaboradores, actualmente a Silanto S.A. tem, no total, 38 colaboradores (6 em Faro, 6 em Sintra, e 26 no Porto). Neste contexto, Luís Machado sublinha a aposta da empresa nos seus recursos humanos, “porque somos uma empresa que se distingue da concorrência pelo facto de apostarmos muito na valorização, na formação e na motivação de recursos, e, por isso, temos um conjunto de colaboradores com formação superior e de elevado know how; que nos permite um melhor conhecimento das técnicas do negócio e dos mercados. Estes são os factores que nos têm garantido a possibilidade de estarmos no mercado tantos anos, com a notoriedade que o nosso nome detém.”
Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade de acordo com a Norma NP EN ISO 9001:2000
O processo de certificação da Silanto S.A. teve início no final do ano de 1999, tendo decorrido a maior parte do processo durante o ano de 2000 e 2001. Luís Machado explica: “ficámos certificados pela SGS Internacional em Setembro de 2001, porque sendo a Silanto uma empresa com contactos no exterior (é uma empresa que importa uma elevada percentagem dos materiais que distribui) teríamos maior visibilidade se a certificação fosse feita através de uma entidade com presença internacional”.
A certificação foi um investimento direccionado para uma melhoria continua da qualidade dos produtos comercializados e serviços prestados. A Silanto S.A tem orientado a sua estratégia no sentido da inovação, reforço da competitividade, consolidação das relações com os seus fornecedores, valorização dos seus recursos humanos, com o objectivo último de optimizar a satisfação dos seus clientes. Neste sentido, as garantias prestadas por uma empresa certificada são substancialmente reforçadas em relação às empresas não certificadas.
Obras, clientese marcasde referência
A Silanto S.A. faz a sua comunicação institucional através do seu site (silanto.pt), onde são apresentadas noções da história, da actividade e das representações da empresa. Em relação aos clientes, podemos segmentá-los em três grandes grupos: o cliente construtor, o cliente revendedor de materiais de construção e os instaladores dos nossos materiais. “Nós trabalhamos com os principais construtores do mercado, nomeadamente a Mota-Engil, Teixeira Duarte, M.M.S.F., Soares da Costa, a Edifer, a Obrecol, entre outros. Em relação a revendedores, podemos destacar a Sival, a Placosacavém, o Custódio Rodrigues, a Calgesso, a Cimaca, o Artur Agostinho, entre outras”, referiu Luís Machado.
No que respeita a marcas de referência, a Silanto S.A. representa, na área dos isolamentos térmicos, a DOW CHEMICAL, uma multinacional norte-americana, líder de mercado nessa área e a ROCKWOOL (líder no seu segmento de mercado); na área dos Policarbonatos, representa a BRETT MARTIN e a POLITEC, entre outras. Em Portugal, podemos destacar a SONAE (nos pavimentos estratificados), e a AMORIM (nos pavimentos de madeira), a FIBROPLAC (no gesso cartonado) e a FALPER (na perfilaria).
A Silanto, S.A. conta com uma vasta lista de projectos de referência realizados os quais evidenciam o profissionalismo e know how dos colaboradores e a elevada qualidade do serviço prestado, nomeadamente:
- Diversas intervenções em obras do EURO 2004, onde se destaca o Estádio de Faro – Loulé.
- Vista Alegre, Fábrica de Sapatos ECCO, Estádio Sporting, Estádio Belenenses, Hospital Arrábida, Biblioteca José Saramago, entre outros.
Panorama actual
Luís Machado considera que a crise do sector e da economia tem sido muito penalizadora, porque desde 2001 até 2006 o produto de construção civil reduziu cerca de 23 e meio por cento, valor que caminha, para uma redução de 30 por cento do negócio global do mercado, após 2006. Neste sentido, a Silanto S.A. não ficou imune a esse período de menor vitalidade do mercado e também registou quebras na sua actividade, no volume e nos níveis de rentabilidade, desde 2001: “Estamos agora a inverter esse processo no sentido de retomarmos aquela que foi a nossa normalidade durante muitos anos (nomeadamente de 1997 a 2001), que foram anos áureos de crescimento da actividade e da rentabilidade da empresa)”, garante o nosso interlocutor.
Futuro
Tendo em conta a situação do mercado da construção civil em Portugal e da própria economia, a administração da Silanto S.A. não tem ambições de crescimento desmesurado: “Atendendo ao facto de, nos últimos anos termos reduzido a nossa estrutura humana e também a estrutura de custos, pretendemos crescer de forma a compensar nominalmente os valores de inflação. Neste momento não há nenhum indicador que nos permita dizer que o mercado vai disparar, pelo contrário, e, por isso, queremos ir crescendo de forma sustentada, consolidada”.
Para o futuro a empresa pretende consolidar a sua posição e notoriedade no mercado, apostando numa orientação estratégica que assenta na continuidade da sua política de inovação, através da introdução e promoção de novas marcas e produtos, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento de soluções construtivas de vanguarda.Será aposta, igualmente, a introdução de novos factores críticos de competitividade no negócio, de modo a reforçar a cadeia de valor do mesmo, como exemplo: temos a aposta no projecto de Benchmarking e a criação de marcas próprias.Será reforçada a aposta no sistema de gestão de qualidade com o objectivo de optimizar a satisfação do cliente.
Benchmarketing e Controlo de Gestão
Com o objectivo de melhorar o seu sistema de gestão e o respectivo controlo a Silanto está a desenvolver um projecto de Benchmarking que completa e reforça o sistema de gestão da Qualidade implementado na empresa, na vertente da optimização da satisfação dos requisitos do cliente e na melhoria continua dos seus produtos, serviços, processos e resultados.
O Benchmarking enquanto projecto e instrumento de gestão implica a interrogação no seio da nossa empresa sobre o processo produtivo e a adopção de estratégias para a sua racionalização, visando a melhoria do seu desempenho.
O projecto desenvolvido pela empresa assenta na adopção de um conjunto de indicadores de desempenho e produtividade objectos de medição periódica e fulcrais à avaliação do sistema de gestão e à determinação da política estratégica.
A utilização dos indicadores permite a realização de uma auto-diagnóstico ou análise do nível de eficiência dos diversos processos da empresa e, por outro, a comparação com os resultados agregados dos seus congéneres, visto que os dados são registados numa plataforma comum que reflecte o desempenho global da Industria da Construção e permite à empresa conhecer o seu posicionamento nesse mesmo desempenho.

O ministro da Economia não se nota, não se vê, não existe

O administrador do Grupo Vangest, da Marinha Grande, é peremptório: a crise pela qual o país passa é “um movimento de fundo, cultural, de reorganização das forças, reutilização dos recursos e optimização dos meios”

JORNAL DE LEIRIA (JL) – Acredita que o facto do Grupo Vangest ter sido escolhido pela BBS para criar as jantes do Mini Cabrio, construído pela BMW, pode vir a trazer mais negócios para a empresa?
Victor Oliveira (VO) – De forma alguma! Se, há cerca de cinco anos, era estratégico trabalhar com a indústria automóvel, hoje, não deixando de ser importante, é muito menos estratégico. Trata-se de uma indústria extremamente competitiva, cada vez mais deslocalizada e ligada à mão-de-obra barata, com condições de trabalho proibitivas. A BBS e a relação que temos com outras marcas na área automóvel vem consolidar a nossa posição nessa área, mas não quer dizer que estejamos muito interessados em abrir outras portas na indústria automóvel. O que pretendemos é - e sublinho isto - consolidar a nossa posição para não sermos permeáveis às condições draconianas impostas pela indústria ao nível dos prazos, pagamentos, custos e do que quer que seja – só há exigências!

JL – Nesse caso, quais são as novas áreas emergentes que representam saídas para a indústria nacional?
VO – Para além da electrónica, creio que os bens de consumo são fundamentais...

JL – E que mais-valias poderá o interesse da Boeing pela indústria nacional trazer ao nosso País?
VO – Penso que se trata de um projecto que, do ponto de vista prático, dificilmente trará resultados num prazo imediato. É um investimento que é importante fazer. Está constituído um grupo de trabalho que tem feito contactos apreciáveis e o desafio tecnológico e reconhecimento de uma empresa da dimensão da Boeing, e ainda a inclusão da nossa indústria nos seus planos, quanto mais não seja, é um aspecto importante. O desafio é muito complexo e interessante e envolve uma série de entidades e capacidades da indústria e das universidades. Basicamente, o que estamos a fazer é tentar converter materiais convencionais para a aeronáutica, como os materiais compósitos, em termoplásticos, correspondendo às características mecânicas e solicitações dos compósitos. Estamos a falar de peças que têm de ser muito leves e resistentes à combustão e ao esforço. Mesmo se, “in extremis”, não fizermos nenhum negócio com a Boeing – embora, pessoalmente, acredite que vai haver negócios firmados -, a capitalização de know-how e a interacção com os técnicos da Boeing já são ganhos importantes. É desta interacção que resulta o movimento cultural e a evolução necessários na indústria dos moldes.

JL – Num momento em que os prazos de entrega são cada vez mais curtos, as empresas que não disponham de tecnologia de prototipagem rápida (PR) estão condenadas?
VO – Não. As empresas têm de se ver mais como elos de uma cadeia e menos como concorrentes, complementando-se. Para quê comprar uma máquina que custa 300 mil euros que só é utilizada a 20 por cento da sua capacidade? Aliás, na Marinha Grande temos um centro tecnológico que tem uma excelente oferta a esse nível. A PR é uma fase do ciclo de desenvolvimento de um produto cujo peso na sua concepção representa muito pouco. Talvez entre três e cinco por cento, mas é preciso perceber o espaço que a prototipagem virtual tem vindo a ocupar. Há marcas de automóveis que pretendem, num prazo de três anos, eliminar os protótipos físicos e substituí-los por modelos de computador.

JL – Que consequências pode ter o alargamento da UE a Leste e qual é o perigo da concorrência chinesa?
VO – Estou perfeitamente consciente das consequências que a entrada de novos parceiros e a concorrência cada vez mais directa da China podem trazer. Devemos ter o discernimento e a capacidade de tornar essas ameaças em oportunidades. Temos de saber acrescentar mais-valias para os clientes que procuram soluções globais que esses países não sabem desenvolver. Por outro lado, na lógica de sinergias, estamos perante uma excelente oportunidade para criar parcerias positivas para a indústria nacional, em conjunto com os países que se vão juntar à UE. Essas relações têm de passar por sermos mais inovadores que eles e creio que estamos razoavelmente à frente para conseguirmos esse objectivo.

JL – Como se pode aliar a necessidade de mão-de-obra muito cara e altamente especializada, como a do sector dos moldes, com a contenção de custos em recursos humanos?
VO – Na Marinha Grande há dos melhores equipamentos do mundo, mas, de uma forma geral, as empresas e os empresários esqueceram-se de formar as pessoas. Temos de pôr as máquinas a trabalhar para nós e pessoas especializadas a operá-las para que o seu rendimento seja o máximo possível. Nessa lógica, estaremos a aumentar a nossa competitividade, o rigor das operações e a optimizar os recursos existentes.

JL – Há cerca de duas semanas, o ex-ministro da Economia, Augusto Mateus, esteve em Leiria, no âmbito de uma conferência organizada pelo JORNAL DE LEIRIA, e referiu que o dinheiro utilizado na construção dos estádios para o Campeonato Europeu seria suficiente para Investigação e Desenvolvimento nas empresas durante dez anos. Concorda com esta ideia?
VO – Tive oportunidade de estar presente nessa conferência. Não sei se daria para dez anos, mas seria suficiente para bastante tempo e estaria melhor empregue do que em estádios de futebol. Esta loucura de termos criado uma estrutura megalómana para o Euro está completamente fora da nossa dimensão. Dou total razão à opinião do professor e lamento que esse dinheiro não tenha sido investido em hospitais ou escolas; equipamentos muito mais estruturantes que estádios. Ainda por cima, os recintos vão ser sub-utilizados. Vem-me à ideia uma frase que ouvi durante um concerto no novo estádio de Coimbra: “Em 90 por cento dos jogos estarão menos pessoas que o número de sanitas que aqui existem”.

JL – O que pensa da actuação de Carlos Tavares enquanto ministro da Economia?
VO – Trata-se de uma actuação suficientemente cautelosa para não ser alvo de grandes críticas ou elogios. Não se nota, não se vê, não existe, não acrescenta valor, é demagógica e pouco efectiva. Da forma em que o País e o tecido empresarial se encontram, a actividade e o envolvimento ministerial deveria ser mais estruturante.

JL – Durão Barroso disse recentemente que depois de dois anos a apertar o cinto há agora condições para crescer e aumentar as exportações. Acredita que sim?
VO – Penso que faz parte da demagogia implícita ao modo como o Governo se tem comportado relativamente à indústria. É muito difícil entender como se deve exportar quando as empresas são penalizadas pelas políticas implementadas pelo Executivo. É o caso do IVA: uma empresa que exporta está directa e objectivamente a financiar um Estado que não paga aos contribuintes e às empresas o que deve nessa matéria. Obviamente, esse é o único discurso que o primeiro-ministro pode ter. Se o discurso não for positivo, em nada auxiliará à saída da situação em que nos encontramos. É criticável a forma como as coisas têm sido geridas e o que o Governo está a fazer em nada ajuda a alcançar esse tal salto de crescimento e das exportações. Todos nós, a nível do “cluster” dos moldes da Marinha Grande e Oliveira de Azeméis, sabemos que não vivemos um período de dramatismo que nos coloque em causa, mas não devemos adormecer à sombra desse facto. Devemos sim, considerar que este período de crise não é igual a outros por que o País passou. Não voltaremos ao período bom que se viveu até há cerca de dois anos. Trata-se de um movimento de fundo, cultural, de reorganização das forças, reutilização dos recursos e optimização dos meios. Vivemos um momento de viragem e temos de estar despertos para conseguir lidar com a situação.

JL – Qual é a importância do projecto do TGV para o País e para a região?
VO – Tudo o que nos permita aproximar da Europa, ainda que seja através de Espanha, é importante. Não discuto quais devem ser as linhas, os trajectos prioritários, como deve ser feita a sua construção, qual o workflow e como as coisas devem funcionar, mas creio que é um investimento que faz todo o sentido.

JL - Como vê a nova divisão administrativa nacional através das áreas e comunidades urbanas?
VO – Já somos suficientemente pequenos para nos dividirmos em subconjuntos criticavelmente mais pequenos, criando estruturas que, por mais pequenas que sejam, serão sempre sobredimensionadas. Temos de pôr as coisas em termos práticos, sermos mais objectivos e muito menos empíricos do que temos sido. Pode até ser uma coisa boa para o País, mas não do modo como tem sido apresentada.

JL – Como avalia o papel das autarquias no desenvolvimento local?
VO – As autarquias deveriam ser mais dinâmicas e ter uma sensibilidade completamente diferente para com o tecido empresarial. Precisavam de ser mais aglutinadoras e promotoras daquilo que se faz em cada região e entre elas serem capazes de integrar as características de cada uma, de modo a que os diferentes pólos possam comunicar entre si e desenvolver--se. A título de exemplo, há empresários em áreas distintas da dos moldes que importam tecnologia e bens do estrangeiro que existem na Marinha Grande. O nosso País tem menos população que alguns grandes centros urbanos mundiais, mas mesmo assim não nos conhecemos e não sabemos como interagir de forma tão optimizada quanto possível.

JL – Qual deverá ser o relacionamento entre Portugal e Espanha nos próximos tempos?
VO – Temo-nos preocupado [Grupo Vangest] muito com esse mercado. Espanha também tem vivido um momento menos bom ao nível do nosso “core business”. Cada vez mais, sem nos anularmos e subjugarmos à dimensão política e económica de Espanha, temos de ser uma Península Ibérica. Os portugueses estão de costas viradas para aquele país e para o seu mercado, pois existe a noção de que se trata de um local de difícil penetração. A verdade é que o mercado espanhol se subdivide em vários mercados e grandes pólos. Quando nos instalámos em Espanha percebemos que existem diferentes regiões com identidades e culturas diferentes. Estar na Catalunha não é o mesmo que estar na Galiza.

JL – O primeiro-ministro criticou o anúncio da intenção de vários países retirarem do Iraque. Concorda com Durão Barroso?
VO – Penso que o que está mal não é o que se está a fazer hoje, mas o que se fez antes. Não se deve reagir com erros a outros erros. Retirar não iria corrigir os erros do passado e, por outro lado, é preciso ser consequente com as resoluções que se tomam. Não se pode mudar de opinião todos os 15 dias. Pessoalmente, creio que a presença das forças no Iraque tem, neste momento, de ter uma postura diferente de uma acção de guerra. Se a retirada fosse maciça, as consequências para a região seriam muito piores do que se se mantiver esta situação. Percurso Quando era mais jovem Victor Oliveira era conhecido por “Kawa” - lê-se Cava – devido ao amor que tinha pela moto da marca Kawasaki que possuía. “Ainda hoje, há pessoas na minha família que me chamam ‘Kawa’ e não sabem quem é o Victor”, brinca. Natural de Leiria, tirou o curso de Engenharia Mecânica em Coimbra e, ainda durante os estudos, estagiou e trabalhou durante as férias na indústria de moldes da Marinha Grande. Foi esta a profissão que seguiu depois de terminar os estudos, ao ingressar na empresa Geco. Aqui, implementou técnicas de computação de CAD/CAM, levando a empresa a um novo patamar de tecnologia. Depois disso, a Control Data Corporation, uma multinacional americana de software, fez-lhe uma proposta de trabalho, que ele aceitou, passando três anos a trabalhar para aquela empresa. Ao fim desse período, o irmão, Carlos Oliveira, que já era sócio–fundador da Moliporex, empresa que actualmente faz parte do Grupo Vangest, convidou-o a juntar-se a ele num projecto ligado às tecnologias da informação. O resultado desta parceria foi a criação do Grupo Vangest, que administra em parceria com o irmão.

Jacinto Silva Duro
Raquel de Sousa Silva


Perguntas dos outros

Luís Febra, empresário do sector dos moldes, Alcobaça Como vê a Investigação e o Desenvolvimento (I&D) e a relação entre as universidades e a indústria no futuro? Vejo a I&D como um dos ingredientes fundamentais para darmos o salto qualitativo que precisamos no tecido empresarial e no “cluster” dos moldes. Essa é uma área em que o Grupo Vangest aposta há muitos anos e temos a intenção, inclusivamente, de aumentar o investimento. A I&D é algo que nos traz um grande valor acrescentado e permite criar uma diferenciação de mercado. Nesse contexto, considero a relação com os meios académicos e centros tecnológicos imprescindível. Temos trabalhado com várias instituições de ensino, como a ESTG, de Leiria, a Universidade do Minho, a Universidade de Aveiro e alguns departamentos da Universidade de Coimbra. O âmbito é tão vasto que só com sinergias e complementaridade é que conseguiremos fazer as coisas.

António Cunha, director do Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade do Minho Como pensa que vai ser a indústria de moldes dentro de cinco anos? Acredito que a indústria de moldes nacional está a viver um momento fundamental para o seu futuro. Temos concorrentes novos que não existiam há dois ou três anos, como o mercado chinês, que está cada vez mais próximo do nosso nível tecnológico, e de tal forma competitivo, que nem é lógico discutirmos preços com eles. Por outro lado, o alargamento da União Europeia vai trazer ofertas de produção muito mais competitivas ao nível de custo. A formação base dos habitantes desses países é muito superior à nossa e a vontade de crescer e vencer é brutal. A situação geográfica também é determinante: Portugal é cada vez mais periférico. A indústria de moldes tem de fazer uma fortíssima reflexão sobre o seu posicionamento estratégico, porque as empresas que continuarem a trabalhar exclusivamente na transformação do aço correm o risco de, amanhã, não existirem, pois não é viável competir pelo preço. O mercado nacional também não tem capacidade de absorver o que se faz na Marinha Grande, o que significa que temos de acrescentar valor à nossa oferta. No nosso grupo, temos adicionado design, tecnologia, electrónica, integração, inovação e tudo aquilo que o cliente procura.

Carlos André, presidente da Vitrocristal O que é necessário para que a região tenha, globalmente, o mesmo protagonismo que o Grupo Vangest? Aquilo que o Grupo Vangest faz hoje não é nem mais nem menos o que qualquer empresa da Marinha Grande poderá fazer muito rapidamente. Não estou a subvalorizar o Grupo Vangest, nem a sobrevalorizar quem quer que seja. O que nos falta é transformar as fábricas da Marinha Grande e de Oliveira de Azeméis em respostas mais integradas. A inovação, que toda a gente diz que faz mas que depois acaba por não fazer, é algo que é fundamental no terreno. O Grupo Vangest é um exemplo, entre outros, disso – era nosso objectivo sermos perfeitos, mas nunca conseguiremos sê-lo (risos). Mas, para responder ao professor Carlos André, eu diria que temos de apostar nas pessoas, na qualidade, sermos selectivos, ter o discernimento para tomar as decisões mais correctas, procurar os parceiros e as sinergias certas. O padre António Vieira disse, no século XVI, que “Deus deu Portugal aos portugueses para nascer e o mundo para viver e morrer”. O nosso mercado, em termos de oferta transversal, está fora de Portugal. Está longe, e ao mesmo tempo, pode estar perto. Estamos à procura de mercados muito convencionais, onde já toda a gente está, como o mercado automóvel. Temos é de procurar nichos, que podem estar tão perto como Espanha e tão longe como África, mas que existem.

sábado, 3 de Novembro de 2007

Química Orgânica: Sempre Presente!

O que é química orgânica? A química orgânica é o ramo de química que trata de substâncias ou compostos contendo carbono e hidrogénio como os seus elementos principais (também, frequentemente encontra-se elementos como oxigénio, azoto, fósforo, enxofre, etc). A química orgânica tem uma presença constante na nossa vida quotidiana e tem uma ligação forte com áreas importantes, como por exemplo, saúde, agricultura, energia, ambiente, transporte, etc (vamos ver vários exemplos).

A química orgânica abrange uma área enorme e foi estimado que o número de substâncias orgânicas que pode existir é mais de 1060 (1 seguido por 60 zeros!), um número tão grande que ultrapassa o número de estrelas no universo visível! Os compostos orgânicos são de dois tipos; naturais e sintéticos. Os naturais são feitos (biosintetizados) pela Mãe Natureza e os sintéticos pelo homem nos seus laboratórios e fábricas. Compostos orgânicos são encontrados, na terra, nos mares, no ar e no espaço. Na terra, encontra-se uma grande variedade de compostos orgânicos, desde compostos produzidos pelas plantas e animais aos compostos produzidos nas nossas fábricas e nossos laboratórios. No caso dos seres vivos, são encontrados nas suas células, compostos orgânicos pequenos (por exemplo, açúcares e amino ácidos) a compostos grandes, (por exemplo, proteínas, celulose e ácidos nucleícos). Na verdade, neste momento, consegue ler e compreender este texto pela acção de compostos orgânicos pequenos presentes no cérebro. Denominam-se neurotransmissores e são responsáveis pela sua consciência. Os neurotransmissores são enviados de um neurónio (célula nervosa) para outro. O oxigénio vital para a sobrevivência destas células é transportado por um composto chamado hemoglobina contendo uma parte orgânica grande (a porfirina). Em termos de maior diversidade de compostos orgânicos na terra, as florestas da Amazónia do Brasil são provavelmente o líder. De facto estas florestas são verdadeiramente fábricas de compostos orgânicos! Muitos dos compostos ali encontrados têm sido usados como fármacos no tratamento de várias doenças. Dentro da superfície do nosso planeta há reservas de misturas complexas de substâncias valiosas para nós: o petróleo. É uma mistura complexa de vários compostos orgânicos pequenos e grandes. Nas refinarias petrolíferas os componentes são separados através de um processo chamado, destilação fraccionada. Estes produtos depois servem como fontes principais de energia (gases e gasolina) e a matéria-prima da indústria química. Os mares também são locais ricos em compostos orgânicos, principalmente devido a sua flora e fauna abundante. De facto, os mares tal como as florestas da Amazónia no Brasil, são tesouros de muitos compostos orgânicos com uma variedade de funções. Na atmosfera, o ar também contém compostos orgânicos. Um óbvio exemplo é dióxido de carbono (CO2), um produto resultante da respiração em organismos vivos e de combustão de hidrocarbonetos. É a matéria-prima dos hidrocarbonetos produzidos pelas plantas durante a fotossíntese. Infelizmente, este composto, é o gás de estufa mais conhecido por todos, responsável pelo aquecimento global. O ar contém muitos outros tipos de compostos orgânicos. Nas cidades grandes, o ar contém produtos de combustão parcial dos automóveis, denominados, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, que infelizmente, são associados a doenças graves, como por exemplo, o cancro. Mais perto dos nossos narizes, os perfumes que usamos são constituídos por compostos orgânicos voláteis com cheiros agradáveis. No reino animal, muitos deles (particularmente os insectos) usam compostos orgânicos pequenos e voláteis, conhecidos como feromonas para comunicar, e particularmente, atrair o sexo oposto. Um outro gás de estufa, é o metano (o hidrocarboneto mais simples que existe), e estudos recentes mostram que este gás existe em quantidades significativas na atmosfera por cima da Índia e China. O espaço também é um "poço" de compostos orgânicos. Recentemente, uma nave espacial da NASA chamada Stardust voltou para Terra depois de recolher partículas do cometa, Wild 2 e os cientistas descobriram que essas partículas continham várias moléculas orgânicas, como por exemplo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (também, presentes nas cidades grandes), aminas (compostos orgânicos contendo azoto bem como carbono e hidrogénio), quantidades vestigiais de alguns amino ácidos (os blocos de construção das proteínas). De facto, cometas e meteoritos parecem ser depósitos de amino ácidos. Por exemplo, há algumas décadas atrás, o meteorito de Murchison, com uma idade de 4,5 biliões de anos, aterrou na Terra e trouxe muitos amino ácidos do espaço. Existe uma teoria, chamada panespermia que afirma que os meteoritos trouxeram os amino ácidos certos para iniciar a vida na Terra. No contexto de sistemas planetários, foi sugerido recentemente, que os lagos presentes no satélite grande de Saturno, Titã, contêm metano líquido! Compostos orgânicos também existem nas grandes profundidades do espaço. Estudos recentes realizados a uma nuvem de gás e poeira interestelar distanciada 26.000 anos-luz da Terra, mostrou a presença de aldeídos (uma outra família de compostos orgânicos). Na nossa vida quotidiana somos sempre acompanhados pela química orgânica. Quando acordamos de manhã, usamos gel de banho e champô contendo detergentes que são compostos orgânicos; as roupas que vestimos muitas vezes são feitas de polímeros sintéticos orgânicos (polímeros são moléculas grandes contendo unidades pequenas repetitivas), como por exemplo, poliésteres e "Nylon," etc. Estas roupas são tingidas usando substâncias orgânicas chamadas, tintas. As refeições que tomamos são ricas em compostos orgânicos, como por exemplo, açúcares, proteínas, ácidos gordos, amino ácidos, vitaminas, etc, que fornecem energia e contribuem para o nosso bem-estar. O nosso frigorífico mantém os alimentos frios através da circulação de líquidos refrigerantes que removem o calor do interior do frigorífico. Estes líquidos refrigerantes são compostos orgânicos simples contendo o elemento flúor, e são chamados hidrofluorocarbonetos. Quando temos de usar a frigideira para fritar um ovo, usamos uma que não agarra a comida uma vez que é revestida com uma substância polimérica contendo flúor, chamada, teflon. Lavamos os nossos dentes com uma pasta de dentes que contém o composto orgânico glicerol como ingrediente principal. O ecrã da nossa televisão é feito de um outro polímero orgânico muito duro chamado, policarbonato. Esta substância também é usada nas janelas de campos de squash e nos pará-choques e painel de instrumentos dos nossos carros. Durante a nossa vida quotidiana, continuamos a encontrar compostos orgânicos em todo o lado. Todavia, a química orgânica tem especial relevância na área da saúde. Quando estamos doentes tomamos vários medicamentos. A maioria dos medicamentos em uso tem como princípio activo, um composto orgânico. Na indústria farmacêutica, a maioria dos medicamentos são preparados através da síntese orgânica. A criação de um novo medicamento é geralmente o fruto do trabalho de investigação de equipas de químicos e outros cientistas durante muitos anos. Todas as grandes empresas farmacêuticas mundiais, têm laboratórios onde equipas de químicos praticam " a arte" de síntese orgânica para descobrir novos medicamentos para curar as doenças que nos incomodam no nosso dia-a-dia. Na verdade, a química orgânica abrange uma grande área. Existem em todo o lado, da superfície do nosso planeta até ao espaço exterior. A química orgânica tem um papel fundamental no presente e, sem dúvida, vai ter um papel ainda mais importante no futuro!